Vi alguém a apontar com o olhar e a segredar, ao ouvido do seu companheiro "normal", a quão ridícula estava a menina que passava sozinha pelo pátio, toda vestida de preto com um passo firme e pesado, dado pelas botas invulgares de plataforma também negras.Ela não olhava de esguelha, não se deu ao trabalho de apontar o dedo a ninguem, passava calada ouvindo simplesmente o chapinhar dos seus passos que passavam por entre as poças sem desviar, assim como na vida, nunca se desviou do que é, nunca receou em mostrar o seu verdadeiro "eu", nunca pensou no que as ditas "pessoas normais" pudessem achar.
Parei para pensar e ri para não chorar.
O que será afinal o ridículo?
Será a pessoa que se veste como o seu gosto manda, a que vive a sua vida sem precisar de opiniões?
Ou será a pessoa que goza, aponta, comenta, que olha de lado?
Uma vez a minha mãe disse-me: " se fossemos todos iguais andavamos todos vestidos de amarelo, e perderia toda a piada."
Gozar é ser ridículo, não ter personalidade é ser ridículo, descriminar alguem que goste de mostrar a sua personalidade em tudo é ridículo.
Não existe o termo "pessoas normais", pois o normal é ser eu.
Apontar o dedo sim, mas só a nós próprios, não para opinar sobre os outros.
mwezi
sempre adorei os teus textos anjo..
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