segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sabor a Chocolate

Entre as luzes amarelas, estava eu, sentada naquelas mesas de madeira lascada.
Tinha esquecido a dieta chata e estava a comer um gelado, de colher, de morango. Já cansada de estar alí, pego no gelado e vou dar uma volta ao parque, as folhas esmigalhavam-se por debaixo dos meus pés, o vento batia e fazia-me arrepiar, o gelado ia sendo devorado e as pessoas iam passando por mim sem eu reparar...
Sento-me nos bancos de jardim do parque 25 de Abril e recordo-me do Verão passado...Lembro-me do meu melhor amigo Paulo e da minha melhor amiga Metzli, alí, comigo, às 2 horas da manhã, nos baloiços que estavam por detrás de mim.
Riu sozinha como uma tola a comer o gelado e a lembrar-me do abraço forte que lhes dei, das criancices que fizemos nessa noite.
Sinto saudades mas não choro... Aliás, sorrio! será um sinal que afinal de contas amadureci?
No frio cortante do anoitecer, eu estava com a alma quente e a comer o gelado que cada vez estava mais doce.
Encontro um coraçãozinho de chocolate na minha colher, fico a olhar para ele e digo-lhe: -mesmo longe ainda os sinto aqui acreditas? Ainda dizem que a amizade não é a coisa mais forte do mundo.
Posso chamar a isto, magia? Sim sem dúvida...
[ Agradecimento aos meus feiticeiros que nem precisam de se dar ao trabalho de pegar na varinha mágica para me fazer sorrir ]

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ás vezes.

Fotografia de :Mwezi

Ás vezes só me apetece sentar-me à janela e fazer bolinhas de sabão, ás vezes só quero ir buscar a caixa das bonecas e pentear-lhes o cabelo, ás vezes só me apetece correr para o colo da minha mãe e perguntar o que devo fazer, ás vezes só me apetece brincar com o meu irmão aos restaurantes com o detergente da roupa da minha avo e com a comida dos pássaros, ás vezes só quero voltar a ter 6 anos, pedir um perna-de-pau à minha avó e demorar uma boa meia hora a comer, esperar que ele me derreta pela mão, só mesmo para o sabor a doce durar mais tempo... "O que é bom acaba depressa", já o meu avô dizia, mas quando se é criança, lutasse até ao fim para o momento durar, quando se é criança, não se tem vergonha de chorar no meio da rua e dizer: eu quero, EU QUERO, EU QUERO!!
Agora se quero alguma coisa, ou luto por ela, ou quero-a em segredo.
Ás vezes só queria não ter vergonha de pegar a vassoura e cantar, dançar, dar um grande espectáculo, ás vezes queria ter coragem para dizer: porque estas a ser a assim? estás a ser mau!
Ás vezes, só queria ser criança, baloiçar-me no baloiço e rir dos namorados que estão a discutir no parque, da mãe que irritada puxa a criança que não queria sair do escorrega, do velhinho que se está a queixar que lhe doem as costas, das senhoras que estão a ralhar sobre a juventude que anda louca.
Ás vezes só quero tapar os ouvidos e dizer "lalalalala" e depois levar um grande estalo na cara e ouvir: erras-te!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

HOJE

Fotografia de: Mwezi
Tempestade de Verão! Acordei com um trovão! A amiga distância pergou-me uma partida! Sinto saudades, Sim, e ainda nem uma semana passou. Ade passar... Ade chuver mais vezes, amanha o Sol ade nascer, eide acordar bem disposta, será?

mwezi

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A Resposta Mais Correcta da Minha Vida!

Fotografia de: Metzli Bast

No outro dia, cedi à chantagem de amigos, e fui criar um Netlog, só mesmo para não me chatearem mais a cabeça. Estava a completar o meu perfil e cliquei numa coisa que dizia "entrevista", apareceu logo montes de perguntas para eu responder para completar mais o meu perfil e dar a conhecer os meus interesses. Li as perguntas para ver se havia lá alguma engraçada para responder. Encontrei uma que dizia assim: " qual foi a melhor coisa que te aconteceu este ano?" Quase como se fosse algo automático, respondi em milésimos de segundo: "Conhecer o meu Black Valentine". E agora que penso nisso, acho que foi a resposta mais correcta que alguma vez dei a alguma pergunta que me tenham feito, acho que nem nos testes de geografia do 9ºano, que respondia com respostas literalmente copiadas do manual, dei respostas tão correctas como esta que dei no Netlog.
Há pessoas que me dizem: Ai não há nada mais bonito que o amor, que estar apaixonado!
Cá para mim há. Cá para mim, acho que uma amizade pode se tornar a coisa mais forte e bonita do mundo.
Quando penso em algo perfeito, penso na amizade e não em pessoas apaixonadas. Perdemos o namorado... e depois? Quem está lá a abraçar? A dar miminhos e palavras encorajadoras?
Eu cá sei quem é... o meu Black Valentine, era ele quem me abraçava, era ele quem eu queria abraçar, é ele o Melhor Amigo.
Amanha podia ser o fim do mundo em cuecas para mim, o céu podia-me cair em cima e o chão se abrir por baixo de mim e cair para num fosso onde me encontraria com diabinhos malvados que me mantinham a altas temperaturas e me enfiavam agulhas entre a carne e as unhas, mas sabia que ele me vinha socorrer.
Admiro muito as pessoas que me conseguem fazer sorrir, imaginem então o que eu sinto por alguém que com um simples olhar me consegue por um sorriso de orelha a orelha e me por a gritar pela rua aos pulinhos: EU SOU FELIZ!!!
Basta ele olhar-me nos olhos, com aquele olhar forte e doce, basta ele me dar miminho nas mãos quando me sente mais triste, basta ele me abraçar, basta ele escrever: "tens-me sempre a mim amor, minha tontinha^^" basta ele me dizer todos os dias "olá", basta-me tê-lo e qualquer vazio que sinta, qualquer pensamento que me doa, desaparece.
O que é a amizade? Pode ser tudo, pode ser uma mágoa, pode ser uma lágrima, pode ser um apoio,pode ser uma preocupação, pode ser um encosto, pode durar 1 segundo, pode durar a vida, pode ser perfeita, pode ser segurança, pode ser mentira, pode ser dúvida, pode ser um sonho.
A amizade que sinto por ti meu Black Valentine, é uma pequena rosa, que a cada dia cresce mais e mais e se torna mais bonita, cada dia tem mais espinhos, dificuldades que vamos ultrapassando juntos. Eu riu-me face á distância: ahahahahahahahahah! Não é ela que nos vai separar, não, Nada e NUNCA. Nunca te vou perder, fazes parte de mim, fazes-me crescer, fazes-me sonhar, fazes-me sorrir.

Fazes-me Viver, Feliz por Te Ter!
Io te amo amore mio, tu sei tutto per me.


mwezi

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Peter Pan

Era o último fim de semana antes das férias. Entre as luzes e o ruído de festa, estava sentada, aborrecida, na escadaria da igreja.
Via a "toda a gente" de sempre mas fingia nem as ver, via pessoas da escola a passar, deixava ir, sem as chamar.
De repente, senti alguém aproximar por trás de mim, tão rápido que nem tive tempo de me virar.
Umas mãos suaves taparam meus olhos, passei minhas mãos sobre elas e tirei-as, lentamente, virei-me para trás.
O tempo parara de correr, o sino parara de badalar, toda a gente desapareceu e as luzes coloridas apontavam, agora, para os lindos olhos verdes para os quais olhava e para o cabelo loiro brilhante que agora, cuidadosamente, lhe tirava da cara.
Sorri num abraço apertado, profundo como se tivesse a agradecer ao meu salvador da morte certa.
Agarrou-me a mão e correu para ir comprar pipocas. Fez-me rir ao tentar mandar as pipocas directamente para a boca, tentativas muitas vezes falhadas.
Já era tarde, o bailarico acabara, a música calminha deu-nos vontade de dançar. Fomos para trás do palco onde não estava ninguém. Dançámos a rir.
Rir, sorrir, são as palavras-chave para caracterizar o que ele me faz sentir.
Aponto para uma estrela muito brilhante: -Olha ali, aquela é a minha estrelinha da Terra do Nunca, quem me dera ser a Wendy!
Ele sorri :- Tonta, quem me dera ser o Peter Pan!
Despede-se de mim e entra no carro para ir embora.
Digo adeus com o coração apertado, sempre que ele se afasta fico assim.
Olho a minha estrelinha da Terra do nunca e penso...quando entendes que já és o meu Peter Pan? Que já me levas para um mundo encantado, divertido e feliz. Quando entendes que a Wendy não é nada sem a alma do seu Peter Pan?
Hoje sonhei que estava a voar pelo céu estrelado contigo, naquela festa, a dançar...

Mwezi




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um toque de ingenuidade inocente


Descalço as botas e calço as galochas da minha avó, passo ao portão ferrugento do quintal e entro na horta na minha infância.
Ao pé da capoeira das galinhas continua o mesmo monte de teias de aranha que me assustavam em pequenina. Passo por elas o mais confiante possível mas em passo de corrida, com receio que alguma me caía em cima, continuo com o mesmo pavor daquelas malditas teias.
Sigo pelo caminho de terra observando bocados de bonecas estragadas. O pequeno compartimento onde obrigava a minha tia a brincar aos cafés comigo, mantinha as chávenas nas prateleiras.
Arranco uma rosa do roseiral e sento-me debaixo de uma arvorezinha observando os gatos vadios, independentes, que me lançavam olhares ameaçadores, mas que mesmo assim não deixavam de ser queridos. Lembro-me da ingenuidade que dantes tinha ao tentar apanhá-los, e ri. Todos os dias, sempre que passava um gatito eu tentava chama-lo e, como é obvio, os gatos assustadiços fugiam, enfim, coisas de criança.
Nada tinha mudado, parecia que tudo me esperava, eu sorri com ternura ao olhar a mangueira velha que tanto usava no Verão.
Peguei na vassoura e ri-me ao lembrar de quando a usava como microfone e dava um grande espectáculo, era sempre aplaudida pelo público mais especial, a minha avó.
Perdida em memórias carinhosas deixei-me ficar.
Já estava tarde, levanto-me e sigo o mesmo caminho de terra, passo pela capoeira das galinhas e ponho lá milho. Calço as minhas botas e digo: - óh avó, tens que tirar aquelas teias de aranha da capoeira das galinhas, sabes que tenho medo!
Dou-lhe um beijinho e, antes de sair ao portão tento apanhar um gatinho, mas os meus esforços foram em vão, ele fugira.
Mwezi

domingo, 17 de janeiro de 2010

Routine de tout les jours ( Uma pequena declaração de amizade )


Era o fim de mais um dia, sem quebrar a minha efectiva rotina, tentava escrever algo com a minha guitarra, algo que me soasse bem e que não destoasse a noite linda que estava lá fora, o céu estava incrivelmente cheio de estrelas, conseguia ver a lua.
Imaginei-te como sempre a meu lado, a olhar-me a avaliar a musica que saía dos meus dedos, agora, inconscientemente.
Era doce melodia, serena como os teus olhos, serena como o meu coração, que ao pensar em ti acalmava, batendo simplesmente por ti, a chamar o teu amor.

bipbipbipbip.
Pousei a guitarra e deixei aquela ilusão escura que não me deixava ver a realidade, deixei que voasses para longe do meu quarto e do meu pensamento.
Abri a sms e vi que era da melhor amiga, tinha saudades de falar com ela, a maldita distância é-me tão fiel que não me larga, mesmo quando quero passar algum tempo com a melhor amiga. O telemóvel é a única maneira de manter o contacto, mas mesmo assim de nada sinto falta, não sinto falta de ir ao cinema com ela, nem de ir fazer compras, ela esta sempre comigo, apesar dos quilómetros, a amizade supera todos os obstáculos, ela consegue abraçar-me e proteger-me de tudo o que me possa assustar ou fazer chorar.
Deitei-me na cama e respondi à sms entrando num outro mundo, num mundo secreto onde eu e a melhor amiga dominávamos tudo, desafiávamos as leis da física, e juntas, saiamos sempre vencedoras.
É totalmente inescritível o valor dos momentos passados com ela, a quilómetros de distância, mas ainda assim, abraçadas. Posso tropeçar e ter vontade de ficar no chão, mas sei que ela jamais deixará, posso chorar por ter feito uma ferida no joelho, mas ela limpará as lágrimas e mostrará que a dor vai passar e tudo vai sarar...aí, noto que alguns choros são uma idiotice. Ela faz-me perguntar a mim mesma, porque choro, se tenho tantos mais motivos para sorrir?
Adormeço com um sorriso no rosto, com a certeza que amanhã ela mandará outra sms de bom dia, com a certeza que vou passar mais um dia com ela, com o meu orgulho, o meu ídolo.
Mwezi

sábado, 2 de janeiro de 2010

(nossa) Força

O sol mostrava-te os seus últimos raios mais belos, reflectia-se no mar. O vento soprava e batia contra ti com força. Tanta beleza, tanta magia, nada te comovia! Calado, triste, ali... Cada vez mais perto do fim da falésia, cada vez mais inseguro.
Uma lagrima cai-te pelo rosto, perdes as forças e quase caís.
O teu pedido de ajuda secreto tocou-me.
Apesar da distância, senti a tua lagrima cair como se fosse no meu próprio rosto.
Corro para ti, corro o mais rápido que consigo. Até que te vejo. Apróximo-me devagar. Dou-te a mão, abraço-te com carinho e amizade.
O vento sopra tão mais forte, de repente pára!
Tu abres os olhos e sorris.
Eu sorrio e digo: - Disseste-me que tudo com o tempo passa, que tudo com um pouco de paciência se resolve! Será que é verdade? Eu digo-te que por vezes o tempo é preguiçoso demais para resolver os problemas...chorar faz bem...mas desistir? Que atitude tão fraca! Nunca se desiste, jamais. Confia em mim e não no tempo. Confia nos teus amigos e principalmente em ti próprio.
Aprende com os erros, com o sofrimento, até que os problemas se tornem insignificantes e brilhantes estrelas no imenso céu que é a tua vida.


Mwezi

Crónica - Sub-estilos urbanos/ Descriminação : O OLHAR NEGRO

Vi alguém a apontar com o olhar e a segredar, ao ouvido do seu companheiro "normal", a quão ridícula estava a menina que passava sozinha pelo pátio, toda vestida de preto com um passo firme e pesado, dado pelas botas invulgares de plataforma também negras.
Ela não olhava de esguelha, não se deu ao trabalho de apontar o dedo a ninguem, passava calada ouvindo simplesmente o chapinhar dos seus passos que passavam por entre as poças sem desviar, assim como na vida, nunca se desviou do que é, nunca receou em mostrar o seu verdadeiro "eu", nunca pensou no que as ditas "pessoas normais" pudessem achar.
Parei para pensar e ri para não chorar.
O que será afinal o ridículo?
Será a pessoa que se veste como o seu gosto manda, a que vive a sua vida sem precisar de opiniões?
Ou será a pessoa que goza, aponta, comenta, que olha de lado?
Uma vez a minha mãe disse-me: " se fossemos todos iguais andavamos todos vestidos de amarelo, e perderia toda a piada."
Gozar é ser ridículo, não ter personalidade é ser ridículo, descriminar alguem que goste de mostrar a sua personalidade em tudo é ridículo.
Não existe o termo "pessoas normais", pois o normal é ser eu.
Apontar o dedo sim, mas só a nós próprios, não para opinar sobre os outros.



mwezi