
Descalço as botas e calço as galochas da minha avó, passo ao portão ferrugento do quintal e entro na horta na minha infância.
Ao pé da capoeira das galinhas continua o mesmo monte de teias de aranha que me assustavam em pequenina. Passo por elas o mais confiante possível mas em passo de corrida, com receio que alguma me caía em cima, continuo com o mesmo pavor daquelas malditas teias.
Sigo pelo caminho de terra observando bocados de bonecas estragadas. O pequeno compartimento onde obrigava a minha tia a brincar aos cafés comigo, mantinha as chávenas nas prateleiras.
Arranco uma rosa do roseiral e sento-me debaixo de uma arvorezinha observando os gatos vadios, independentes, que me lançavam olhares ameaçadores, mas que mesmo assim não deixavam de ser queridos. Lembro-me da ingenuidade que dantes tinha ao tentar apanhá-los, e ri. Todos os dias, sempre que passava um gatito eu tentava chama-lo e, como é obvio, os gatos assustadiços fugiam, enfim, coisas de criança.
Nada tinha mudado, parecia que tudo me esperava, eu sorri com ternura ao olhar a mangueira velha que tanto usava no Verão.
Peguei na vassoura e ri-me ao lembrar de quando a usava como microfone e dava um grande espectáculo, era sempre aplaudida pelo público mais especial, a minha avó.
Perdida em memórias carinhosas deixei-me ficar.
Já estava tarde, levanto-me e sigo o mesmo caminho de terra, passo pela capoeira das galinhas e ponho lá milho. Calço as minhas botas e digo: - óh avó, tens que tirar aquelas teias de aranha da capoeira das galinhas, sabes que tenho medo!
Dou-lhe um beijinho e, antes de sair ao portão tento apanhar um gatinho, mas os meus esforços foram em vão, ele fugira.
Mwezi


